5ª Edição do Principal Evento Orgânico Internacional da América Latina

 


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 Informativo BioFach América Latina / ExpoSustentat - abril 2007
 
"Orgânicos e Sustentabilidade: Duas Tendências do Século XXI" foi tema de encontro do Planeta Orgânico na Câmara de Comércio França Brasil
 
"Sanção da Lei 10.831 é fundamental para o mercado brasileiro e para os pequenos agricultores de orgânicos", avaliam organizadores da BioFach AL e Expo Sustentat – idealizadores do site Planeta Orgânico.
 

"Entre os principais empecilhos para o crescimento do mercado de produtos orgânicos no Brasil está a falta de sanção da Lei 10.831, que criará o selo nacional do Ministério da Agricultura". A constatação foi feita por Maria Beatriz Martins Costa, diretora do Planeta Orgânico e co-responsável pela realização da BioFach América Latina e ExpoSustentat, durante o encontro "Orgânicos e Sustentabilidade: Dois Temas do Século XXI", realizado dia 11 de abril, na sede da Câmara de Comércio França Brasil.

 
O encontro, além de ter marcado participação da França na promoção do agronegócio orgânico nacional, abriu uma série de discussões sobre a necessidade de regulamentação do mercado e de conscientização à sociedade dos benefícios dos produtos orgânicos à saúde. De acordo com Maria Beatriz, 70% dos produtores de orgânicos brasileiros estão divididos entre os agricultores familiares, as associações e os movimentos sociais, e, somente 30% em grandes empresas focadas na exportação. Entre alguns dos entraves gerados pela falta de um selo nacional está a dificuldade do pequeno produtor em distribuir seus produtos.
 
Além disso, é preciso um maior apoio do governo, por exemplo, para a disseminação da "cultura" orgânica aos consumidores do futuro: as crianças. "A utilização de alimentos orgânicos em cantinas escolares colaboraria para uma nutrição saudável, além da conscientização de que as substâncias químicas utilizadas nos produtos 'normais' são maléficas à saúde, assim como para a natureza", explica Maria Beatriz.

A Federação Internacional dos Movimentos da Agricultura Orgânica (Ifoam) acredita que o mercado mundial do setor alcançou US$ 30 bilhões em 2006 e, de acordo com algumas projeções em dados não-oficiais, o mercado orgânico está estimado em US$ 250 milhões. De acordo com as pesquisas, o maior mercado orgânico europeu é a Alemanha, que contava, em 2004, com mais de 300 estabelecimentos que só comercializam produtos orgânicos. A França fica com o terceiro mercado europeu.
 
"O mercado que mais tem crescido ultimamente é o dos Estados Unidos em razão da grande preocupação com a obesidade infantil", comenta Maria Beatriz concluindo que o principal motivo para esse crescimento é a "cultura fast food" norte americana, que acabou criando gerações obesas e com problemas de saúde. Entretanto, Maria Beatriz acredita que o mercado brasileiro tem um grande potencial, está em crescimento e encontra, inclusive, dificuldades para atender a demanda. A expectativa é de que o Brasil pode ter um crescimento de 20% nos próximos cinco anos se houver incentivo ao pequeno produtor . "É por isso que a regulamentação da Lei 10.831 é fundamental para o mercado e para os inúmeros pequenos agricultores envolvidos com a produção de orgânicos", explica comentando que nesta semana o texto da lei voltou à Casa Civil, com todas as explicações da necessidade do diploma e espera-se que seja encaminhado para a sanção presidencial o quanto antes.
 
Outro ponto discutido no encontro na Câmara de Comércio França Brasil foi sobre a cooperação com a sustentabilidade no Brasil e a importância da produção orgânica como forma de preservar a biodiversidade. Maria Beatriz discorreu, também, sobre o valor do caráter internacional dos eventos BioFach América Latina e ExpoSustentat, que ocorrem entre 16 e 18 de outubro em São Paulo e que trazem aportes de investimentos estrangeiros, que podem ser aproveitados no mercado interno com aumento do consumo, assim como, gerando infra-estrutura para exportação. O número de visitantes dos eventos aumenta vertiginosamente e, a previsão de visitantes para esse ano é de seis mil ao dia, contra qiatro mil do ano passado.

Além de Maria Beatriz, o evento na Câmara de Comércio França Brasil contou com a participação da agrônoma Raquel Fabbri Ramos, coordenadora do Ensino Técnico do Centro Paula Souza, que pontuou sobre a falta de conscientização e divulgação de que meio ambiente e saúde são temas naturalmente interligados.

 

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