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São
Paulo, 15 de setembro de 2005 –
Desde
que aportou na América Latina a maior feira de orgânicos do mundo,
a BioFach, os empresários e agricultores orgânicos brasileiros
passaram a contar com uma força propulsora para o setor. Parte do
time brasileiro da empresa Planeta Orgânico que organiza o evento
aqui passa, o ano inteiro, viajando com comitivas de empresários
pelos países em que acontecem divulgações e as edições da
BioFach, fazendo amarrações comerciais e realizando encontros para
rodadas de negócios. O aumento dos números proporcionado por essa
articulação internacional, fez com que o recém criado Projeto
Orgânicos Brasil em conjunto com a Apex destinem
parte dos 1,8 milhões de reais para levar brasileiros a
participarem de todas as edições da BioFach pelo mundo, entre
outras ações como as que serão realizadas nos Estados Unidos,
neste final de semana. Criaram ainda o Projeto Imagem e Comprador
que acontecerá na BioFach América Latina deste ano
no Rio de Janeiro, de 16 a 18 de novembro.
“O
projeto prevê inicialmente levar os produtos orgânicos do País
para serem expostos no exterior. Dessa forma, a primeira
ação é a promoção em feiras no exterior e qualquer empresa ou
produtor que tenha certificação internacional de produtos orgânicos
pode aderir ao projeto e, de imediato, participar. É
o que está acontecendo agora para a BioFach dos E.U.A
e do Japão, onde já temos empresas do Ceará, São Paulo
e Minas Gerais. Estamos custeando todo o espaço necessário
para que esses produtos orgânicos estejam presente nos diversos
continentes. Num segundo momento, por intermédio de algumas
intervenientes do projeto, organizaremos rodadas de negócios que
serão eventos mais pró-ativo”, explica detalhes dos
investimentos e ações do projeto, Ming Liu, administrador do Projeto
Orgânicos Brasil.
“Outro
investimento do projeto na BioFach América Latina é o Projeto
Comprador onde eles trarão para o Rio de Janeiro uma missão
compradora com europeus, norte-americanos e um japonês que vem para
fechar negócio mesmo. E trarão o mesmo número de jornalistas de
outros continentes que virão com a missão de fazer matérias para
divulgar o nosso setor de orgânicos e produtos para outros países”,
ressalta Maria Beatriz Martins Costa, diretora do Planeta Orgânico
e responsável pela realização do evento no Brasil.
Pouco
consumidos por aqui e sucesso de vendas externas, chá e mel orgânico
são filões promissores para produtores brasileiros que partem para
a BioFach EUA e Japão
Fora
está entre os líderes de vendas de chás orgânicos nos E.U.A, mas
aqui os produtos da Chá
Tribal Brasil, não existem. O fundador da empresa explica que a
questão também é cultural. “O brasileiro não tem tradição de
tomar muito chá como os ingleses ou os japoneses. Exportamos para
os E.U.A que, segundo um estudo de mercado, vimos que estamos entre
os líderes de lá. Estamos indo para essa BioFach com a perspectiva
de aumentar o volume de negócios, crescemos há um ritmo de 25% ao
ano. Considero os E.U.A o mercado mais forte de vendas”, conta
Yadutan, o fundador da empresa que vive no Paraná. Eles vivem em
comunidade e da venda e comércio da agricultura orgânica. Mantém
uma rede internacional que pratica comércio justo em todas as
escalas. Vendem para a Europa, Austrália, E.U.A, Canadá e outros
países. E tudo começou aqui, no Brasil, com Yadutan. Ele conta que
acabou de conquistar a certificação JAS, a japonesa e exigida para
as vendas no País e
vai para lá pela primeira vez. “Pela cultura local em relação
ao nosso produto e pela nossa qualidade e credibilidade
internacional, temos perspectivas promissoras com o Oriente”,
finaliza o empresário que está indo participar do evento,
subsidiada pelo Projeto Orgânicos Brasil.
O
mel também é um caso a parte. No Brasil, o consumo per capita está
na margem de uns 200 gramas por ano do produto. Na Alemanha, por
exemplo, bate a margem de 1 litro e 700 gramas e, o País, é o
maior consumidor de orgânicos da Europa.
A CEARAPI do Ceará -maior produtora de mel orgânico do
Brasil – está abocanhando esse mercado internacional de mel orgânico
e exporta em torno de 35% da sua produção só para os E.U.A
. Paulo Levy, o dono da empresa conta que largou tudo em São
Paulo e foi para o Ceará em busca do mel orgânico da melhor
qualidade. “Temos 70 colméias e exportamos mil toneladas por ano
para Holanda, Alemanha, EUA, Japão e vários países. No nordeste a
vegetação de flores nativas e livre de agrotóxicos faz o nosso
mel ter excelente qualidade”, conta ele. E acrescenta que nessa
ida à feira o objetivo é vender o produto embalado, uma vez que
está nesses mercados com força, nas vendas a granel. “Aqui
fazemos toda a linha Terra Ativa do Carrefour e estamos articulando
em conjunto com o Sebrae uma campanha para aumentar o consumo de mel
nacional” , finaliza.
Rodrigo
Marcel Andreolli da Chá Campo Verde do Paraná,
que vendia há anos apenas a erva orgânica, começou vender
há pouco tempo o chá beneficiado e já está nos mercados
internacionais. Com a virada, ele aumentou em torno de 60% os seus
negócios. “Acho que
o mercado está muito propício para o aumento do consumo de orgânicos,
tanto fora quanto aqui. Vendo para
a Alemanha, Estados Unidos e Chile. Vendo a matéria-prima há
quase quinze anos e comecei a vender o produto final nesse ano”,
conta Andreolli. Para ele, investimentos do setor como o da união
de parcerias que resultou no Projeto Orgânicos Brasil é de extrema
importância para esse setor. Os Chás Campo Verde participarão da
feira por intermédio do projeto. Na visão do empresário, como
mostra a linha de crescimento de outros produtores orgânicos daqui,
o aumento pode acontecer de uma hora para outra. Um bom contrato com
uma grande rede pode
dobrar as vendas de um ano para outro. O termômetro das vendas
externas mostra que o que é bem cultivado por aqui, bem articulado
no mercado internacional ainda não atende a crescente demanda de
consumo das populações desenvolvidas.
Todos eles
participam da BioFach América Latina e vêem no evento, um
acontecimento importante para o mercado orgânico tanto interno,
quanto voltado para a exportação.
Equipe
da BioFach América Latina realiza seminário na embaixada
brasileira em Washington e evento em restaurante orgânico para a
promoção dos nossos produtos
O
mercado mundial movimentou cerca de 26,5 bilhões de dólares para a
alimentação orgânica no mundo sendo que, só os E.U.A, são
responsáveis por quase metade desse valor. São grandes redes, vários
produtos para vários públicos como linhas inteiras de produtos
pets orgânicos, entre inúmeras totalmente livres de agrotóxicos.
Consciência, cultura e dinheiro no bolso fazem dessa população a
grande consumidora e, o país, um forte mercado para a compra. O
Brasil tem dificuldade no alto volume de consumo interno, mas é
sucesso e destaque de vendas de orgânicos nos vários continentes.
Em contrapartida com outras nações, como a China por exemplo, é
um país bebê com solo pouco gasto e violentado por pesticidas.
Vende produtos que tem as mais confiáveis certificações, tem
amplo solo fértil para culturas quentes e frias. Falando de orgânicos,
o País é destaque e tem muito potencial de crescimento. Nos próximos
dias, os representantes estarão com os brasileiros lá levando-os
para a BioFach E.U.A e para uma série de eventos.
“Por
intermédio do seminário realizado na embaixada, esperamos, por
exemplo, um contato maior entre fundos de investimento com sede em
Washington, como o World Bank, Conservation International e outras
instituições de fomento que confirmaram presença. Compradores
participarão, com destaque para a Pacific Organics, uma das
principais distribuidoras de frutas orgânicas no oeste
americano”, conta Alvaro Werneck, gerente do Planeta Orgânico e
realizador da BioFach AL. O
seminário aconteceu no dia 15 e, a feira, de 16 a 18 de setembro.
“Existem
várias oportunidades de mercado a serem desenvolvidas nos EUA para
os orgânicos. Produtos
da Amazônia, como açaí, cupuaçú, entre outros, além de guaraná
e palmito tem espaço para entrar no mercado local. Além claro, de
matérias-primas tradicionais para o mercado orgânico local, como
soja, café e açúcar”, explica Rosina Guerra, diretora do
Planeta Orgânico também responsável pela feira. Rosina conta que
vários produtos brasileiros serão levados para a realização do
evento no restaurante Nora´s também
em Washington. O restaurante utiliza somente produtos orgânicos,
sendo, neste perfil, um dos mais conhecidos nos EUA. Outra ação
conjunta do Projeto Orgânicos Brasil e o Planeta Orgânico,
realizada com um dos restaurantes mais badalados na área de
alimentação orgânica de lá. “Teremos um evento bonito com
pratos e vários produtos brasileiros para degustação em exposição
no restaurante. A idéia é chamar a atenção dos consumidores para
os nossos orgânicos ”, conta Rosina Guerra.
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