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Conferência
BioFach
Brasil 2003
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A
Conferência BioFach 2003, realizada nos dias 25 e 26 de setembro
no Hotel Glória, Rio de Janeiro, superou todas as expectativas.
Esperava-se um público de 600 pessoas e 1.200 compareceram ao
evento. Durante a abertura, o Vice Governador Luiz Paulo
Conde e o Secretário de Agricultura Christino Áureo lançaram
oficialmente o Programa Cultivar Orgânico, considerado pelo
Secretário Christino Áureo um passo significativo em
direção ao crescimento do mercado orgânico no Estado do
Rio de Janeiro.
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88.6%
dos expositores declararam que sua intenção de participar
novamente da
BioFach 2004,e a confraternização entre produtores,
comercializadores, prestadores de serviços, certificadoras e
visitantes possiblitou a única química bem aceita entre os
orgânicos que é a da emoção.
14 países estiveram presentes
e visitantes de diversos estados do Brasil, que
prospectavam novas oportunidades também saíram satisfeitos,
conforme depoimento da representante da Ecoamazon, do ACRE: “Voltei
daí com notícias maravilhosas para as comunidades extrativistas
da
Amazônia que
fazem parte do projeto. Tenho certeza que daqui pra frente
colheremos os bons frutos que essa iniciativa nos trouxe. Obrigada
por essa especial oportunidade!”
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Todos
os depoimentos são especiais, mas destacamos um, que sintetiza o
sentimento geral, vindo de um produtor familiar ao ser solicitado
por diversos compradores :
"Nunca me senti tão importante!"
Essa era a missão da nossa BioFach, projetar o Brasil no patamar
que ele merece ocupar no cenário internacional do mercado
orgânico. Agora é continuar o trabalho que apenas começou...
Obrigado a todos que fizeram desta BioFach um
sucesso! |
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Vice
Governador Luiz Paulo Conde, o Embaixador da Alemanha Uwe
Kaestner
e Secretário Christino Áureo, na abertura da Conferência
BioFach 2003 |
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Veja
a seguir alguns fatos e números sobre o setor orgânico
nacional e internacional apresentados na Conferência BioFach
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Estande
do Ministério do Desenvolvimento Agrário, com produtores
da agricultura familiar |
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Moacir
Darolt ( IAPAR) fez sua apresentação com ênfase no consumidor,
e trouxe dados importantes para o crescimento do mercado interno
de produtos orgânicos. Darolt mostrou que o mercado orgânico
internacional movimentou em 2003 de 23-25 bilhões de dólares e
que o mercado brasileiro movimentou em 2001/2002 200 milhões de
dólares (0,8% do mercado mundial).
Darolt, Valter
Bianchini (MDA) e Vital Carvalho Filho (MDA) destacaram o
importante papel que a Agricultura Familiar já possui e ainda
poderá ter na produção orgânica no Brasil, uma vez que reponde
por 75% dos alimentos levados a nossa mesa.
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Apoio à
Agricultura Familiar também foi o foco das apresentações de Jean
Marc van der Weid (AS-PTA) e Celina
Amaral Peixoto
(SEBRAE-RJ). Jean Marc apontou que seja do ponto de vista de qualidade de vida,
seja do ponto de vista estratégico, o setor orgânico deveria
receber especial atenção do governo brasileiro.
Celina lembrou que começa a surgir, em todo o mundo, uma nova mentalidade
que se preocupa principalmente com os seguintes ítens:
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| Herta
Krausmann(NurnbergGlobalFairs), Celina Amaral Peixoto
(SEBRAE-RJ) Gunnar Rundgren (IFOAM) e o Embaixador da
Alemanha Uwe Kaestner |
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Celina,
concluiu sua apresentação alertando que "enquanto
gastamos boa parte do nosso tempo nos preocupando com déficits
econômicos, nos esquecemos que o déficit ecológico é aquele
que realmente ameaça as gerações futuras"
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A mesma preocupação com
relação ao déficit ecológico foi levantada por Roberto Selig ( ABIO)
que trouxe o histórico da Certificadora ABIO
do Estado do Rio de Janeiro e Fernando Augusto de Souza (AECO e
KORIN). Fernando Souza também apontou
a questão tributária. "Com o objetivo de reduzir o
consumo de agrotóxicos, alguns paises da Comunidade Européia
instituíram taxas sobre o consumo de agroquímicos.
Preocupados com a contaminação de 25% seus aqüíferos ,
por químicos agrícolas, a Comunidade Européia está
incentivando a aprovação de leis e benefícios fiscais
para estimular a prática da agricultura orgânica."
disse Fernando.
Veja no
quadro abaixo, da apresentação de Fernando de Souza, o
gráfico relativo a esta prática adotada em alguns países:
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No Reino Unido, o fabricante de agrotóxico paga uma
porcentagem de suas vendas para o sistema de controle, de
1,85% do preço final.
Na Dinamarca são cobrados 2,5%, e na Noruega a taxa é de
13%.
Parte da arrecadação é destinada para a fiscalização e
parte esta sendo direcionada para a pesquisa, objetivando
promover técnicas alternativas de plantio.
A necessidade
de pesquisa também foi apontada nesta apresentação.
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Fernanda
Fonseca, Alexandre Harkaly e Paulo Lenhardt estavam no painel
Certificação e Legislação de Orgânicos no Brasil. Harkaly e
Fernanda apresentaram uma cronologia do movimento orgânico e
apontaram pontos positivos e negativos do setor orgânico
brasileiro. Harkaly destacou que "as normas brasileiras
estão incompletas e defasadas faltando credibilidade no mercado e
na segurança jurídica junto ao consumidor".
Paulo Lenhardt apresentou o crescimento da certificação
participativa e a importância de se ampliar o debate sobre o tema.
Fernanda Fonseca trouxe diversos dados sobre certificação,
inclusive o número de países que já possuem regulamentação
orgânica, 56, assim distribuídos:
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Completamente
implementada = 33 (15 UE, 8 Europa, 6 Ásia, 3 América e
Caribe)
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Não
completamente implementada = 8 (3 UE, 1 Ásia, 3 América e
Caribe, 1 África) |
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Em processo de
rascunho = 15 (4 UE, 4 Ásia, 3 América e Caribe, 2 África,
2 Meio leste)
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Pierre
Landolt (Fazenda Tamanduá) na sua apresentação baseada na sua
experiência como produtor do semi-árido nordestino,entre outros
desafios, destacou a logística como um dos entraves para o crescimento do mercado
orgânico.
Landolt disse que "é preciso conscientizar os estados
exportadores do Nordeste sobre a necessidade de investir em
frigoríficos para pallets. Apenas um porto do Nordeste -Natal, RN-
investiu pesadamente num armazém frigorífico e somente uma
companhia marítima - Lauritzen Cool - possui um sistema de porão
refrigerado." |
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Marco
Giotto(Rio de Una) também apontou a questão da logística como um
desafio para um país como o Brasil, com dimensões continentais. A
reeducação alimentar foi um ponto levantado por Marco Giotto a
ser melhor trabalhado para promover o conceito orgânico.
A
falta de dados precisos para um diagnóstico do setor foi apontada na
apresentação de Cristina Neves (EMBRAPA) como dificuldade de avaliar a
produção orgânica no Brasil. Segundo Cristina:
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Não há estatísticas
oficiais;
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Informação
privativa das certificadoras;
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Há inúmeras
certificadoras;
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Somente são
certificadas as culturas de maior interesse econômico; |
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Só a área
certificada é contabilizada.
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Uma
unanimidade nas apresentações foi a urgência de uma
regulamentação clara e definitiva para o setor. Luiz Carlos
Demattê, cuja apresentação foi sobre Perspectivas para o Frango
Orgânico, disse que "a embalagem tem que ser diferenciada,
mas a identificação "orgânico" no rótulo ainda
não é permitida pelo Ministério da Agricultura/DIPOA".
Este é um entrave apontado por todos e em todas as pesquisas.
Nathan
Herszkowicz e Sérgio Pedini falaram sobre Café Orgânico e
abaixo seguem cenários para o café orgânico no Brasil:
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Mercado
em expansão média de 20% ao ano |
| Sobrepreço
na matéria prima de 20 a 30% sobre não orgânicos |
| Ampliação
da oferta de café verde deve reduzir diferencial |
| Preços
ao consumidor devem atingir patamar de estabilidade |
| Tendência
para produção de private label |
| Marcas
líderes regionais vão atuar no segmento |
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A
disposição de pagar prêmio sobre a carne orgânica foi colocada
de forma clara na apresentação de Homero Figliolini conforme
podemos ver no gráfico abaixo:
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Disposição
de pagar prêmio |

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| Distribuidores |
%
a mais no preço |
| Pão
de Açúcar |
10
a 15% |
| Carrefour |
10% |
| Santa
Luzia |
Até 25% |
| Wessel |
15% |
| Dinho's
Place |
5% |
| Rubayat |
20% |
| Mister
Grill |
20% |
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A
importância da informação ao consumidor e do
desenvolvimento de um marketing institucional também foi um ponto
comum em diversas apresentações como a de Leontino Balbo
(Native), Marco Giotto ( Rio de Una) , Yara Carvalho (AAO), Jaime
Xavier (Zona Sul) , Leonardo Myao (Pão de Açúcar) e David
Kleerekoper (Maraú / Wessanen)
Maria Beatriz Costa (Planeta Orgânico), apresentou resultados da
pesquisa feita nos Seminários BioFach em diversos estados do
Brasil, reforçando a necessidade de um marketing direcionado aos
consumidores, que ainda confundem orgânico com hidropônico, ou
simplesmente desconhecem as características do produto
orgânico.
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Maria Beatriz Martins Costa (Planeta Orgânico) |
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| Luiz
Aroeira e Marcos Palmeira cuidaram do tema Laticínio Orgânico.Marcos
Palmeira ficou surpreso com a quantidade de interessados no tema e
propôs que os produtores de leite orgânico se organizem melhor
para ocuparem espaço no mercado.
Aroeira trouxe dados sobre o quanto o governo brasileiro terá que
importar de leite para atender o Programa Fome Zero.
O interesse do
consumidor por leite orgânico também foi um dos resultados
apontados em pesquisa realizada pelo Planeta Orgânico. |
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O
palestrante Johannes Schreiner (Hipp) destacou o crescente
interesse das mães em oferecer alimentação saudável a
seus filhos, particularmente a chamada "baby food" onde
a marca Hipp é líder de aceitação no mercado alemão.No
Brasil a cultura do "baby food" ainda é tímida, e
pesquisas mostram que embora as mães queiram, e muito, oferecer
produtos saudáveis para seus filhos, buscam produtos in
natura para fazer as sopinhas dos bebês. |
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A
demanda por orgânicos é maior do que a oferta no Brasil e em
diversos países. Para o palestrante Lucio Ceccarelli ,
do Supermercado NaturaSì,
que oferece apenas produtos orgânicos, é necessário um mix de
2.500 a 3.000 produtos orgânicos para que um supermercado possa
fazer frente a um supermecado convencional.
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Vista
de uma das filiais dos Supermercados NaturaSì |
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As salas A e C foram muito
concorridas nos 2 dias da Conferência BioFach, o que comprova
o grande interesse por temas específicos como soja orgânica, por
exemplo, onde Antonio Wünch (Cotrimaio) e Daniel Johannot (BioCrush)
fizeram suas apresentações. Ambos mostraram o crescimento do
mercado interno e externo de soja orgânica.Daniel reforçou a
necessidade de se trabalhar melhor o mercado brasileiro, com um
potencial ainda desconhecido.
Wunsch falou também da loja onde são comercializados os produtos
Cotrimaio. |
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Banco
do Brasil, Banco do Nordeste e AxialPar ficaram com o tema Investimentos
e Micro-Financiamentos para o Desenvolvimento Sustentável. Marcio
Montello do Banco do Brasil destacou o BB Agricultura Orgânica
que oferce
apoio financeiro para despesas de custeio,
investimento e comercialização, devidamente certificado Humberto
Leite (Banco do Nordeste) apresentou o FNE VERDE, que
financia
atividades produtivas que tenham ênfase na conservação
ambiental..
Ralph Wehrle
apresentou o perfil do AxialPar, primeira capitalista de risco no
Brasil com foco no Investimento Socialmente Responsável
(SRI). |
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Ralph
Wehrle (AxialPar) |
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No
encerramento da Conferência BioFach, no dia 26 de setembro,
Herta Krausmann agradeceu a participação de todos em especial
aos membros do Conselho do Projeto BioFach-Brasil 2003, que
fizeram parte da mesa no dia 26 de setembro. Rosina Guerra, Maria
Beatriz Costa e Alvaro Werneck agradeceram também o apoio e todos
comemoraram a escolha da sede da BioFach America Latina, que
acontecerá no Rio de Janeiro dias 08, 09 e 10 de setembro de
2004.
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| Da
esquerda para a direita: Alvaro Werneck (Planeta Orgânico), Gunnar
Rundgren ( IFOAM), Maria Beatriz Martins Costa (Planeta Orgânico), Rosina
Guerra ( Planeta Orgânico), Peter Peters (DEG), Herta Krausmann (NurnbergGlobalFairs),
Udo Censkowsky (Mercabio), Jaime Xavier ( Zona Sul), Pierre Landolt
(Fazenda Tamanduá), Richard Dulley (AAO), Homero Figlolini (ABPO),
Alexandre Harkaly (IBD).
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Rosina
Guerra (Planeta Orgânico), Peter Peters (DEG),
Herta Krausmann ( NurnbergGlobalFairs) |
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Peter
Peters, representando o DEG, banco que patrocinou o Projeto
BioFach-Brasil, disse que este foi um dos seus projetos favoritos. O
DEG é um empresa de investimentos que apóia projetos sustentáveis.
O Projeto BioFach-Brasil realizou 40 seminários em diversos estados
do Brasil,
seminários estes que antecederam a Conferência BioFach 2003. |
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Para
conhecer a programação e os palestrantes, clique na
data desejada |
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